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Correios fecham o primeiro semestre com prejuízo de R$ 5,6 bi; estatal busca empréstimo de R$ 7 bi


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Jornal Nacional/ Reprodução
A Empresa de Correios e Telégrafos, os Correios, publicaram, neste sábado (29), as demonstrações financeiras do 1º semestre de 2026 com um prejuízo de R$ 5,6 bilhões. Com isso, a empresa completa o 16º trimestre seguido apresentando déficit nas contas.
Como adiantando pelo g1, o prejuízo do 2º trimestre é menor do que o obtido pela empresa nos últimos dois trimestres, o 1º deste ano e o 4º trimestre de 2025, apontando um pequeno movimento de recuperação da saúde financeira dos Correios, que teve um prejuízo recorde no 1º trimestre de 2026.
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Na introdução das notas explicativas às demonstrações financeiras, os Correios informaram que estão em “estágio avançado” de estruturação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A empresa não deu detalhes sobre como será o contrato, mas afirmou que a União será o fiador em caso de calote da dívida.
“Encontra-se em estágio avançado de estruturação uma nova operação de crédito no montante aproximado de R$ 7 bilhões. A operação vem sendo discutida com potenciais instituições financeiras participantes, estando seus principais elementos econômico-financeiros e contratuais em fase avançada de alinhamento”, afirma a empresa.
Além disso, a estatal também confirma o compromisso firmado com o Governo Federal para aporte de R$ 6 bilhões na empresa até o final de 2027.
“Nesse contexto, a União assumiu compromisso de realizar aporte de capital no montante de R$ 6 bilhões até o final de 2027, destinado ao fortalecimento da situação econômico-financeira e patrimonial da Empresa.”
Nessas demonstrações do 1º semestre, a empresa reapresentou – informou novamente, após apurar detalhadamente – os saldos para o ano de 2025. Com isso, o prejuízo do 1º semestre de 2025 caiu de R$ 4,4 bilhões para R$ 4,3 bilhões.
As receitas obtidas até 30 de junho deste ano reduziram em R$ 320 milhões em relação ao mesmo período de 2025. Já os dispêndios aumentaram em R$ 972 milhões.
Receitas: R$ 7,87 bilhões em 2025 e R$ 8,19 bilhões em 2026;
Despesas: R$ 13,4 bilhões em 2025 e R$ 12,4 bilhões em 2026.
Desempenho das receitas
Apesar das receitas dos Correios no semestre terem diminuído, alguns segmentos individuais tiveram melhora no desempenho quando analisados individualmente.
O principal aumento se deu no campo da prestação de serviço de logística que a estatal oferece a empresas que envolvem o recebimento do pedido, como a preparação do pacote e envio de produtos ao comprador.
A receita saiu de R$ 205 milhões em 2025 para R$ 423 milhões em 2026.
Desempenho das receitas
Por outro lado, as encomendas internacionais, que já representaram 22,2% de todas as receitas, agora representa apenas 4,3% do total ao atingir apenas R$ 355 milhões no semestre.
O desempenho repete um movimento observado desde o lançamento do programa Remessa Conforme, em 2023, com a redução das receitas principalmente associada à queda na prestação de serviços de transporte de encomendas internacionais.
O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas. A medida ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.
Porém, mesmo com o fim da taxa das blusinhas, a empresa não viu as receitas aumentarem já que o programa Remessa Conforme continuou.
Desempenho das despesas
Com relação às despesas, os gastos com salários — um dos maiores problemas enfrentados pelos Correios — teve uma pequena redução de R$ 20 milhões no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, dando fim a uma sequência de altas com esses gastos.
Ao todo, esse grupo de gastos atingiu R$ 5,2 bilhões nos seis primeiros meses do ano. Valor 15% menor do que a previsão feita para esses gastos.
Com a redução dos gastos com salários, os Correios ainda conseguiram economizar com despesas atreladas, como planos de saúde e previdência, que totalizaram R$ 260 milhões a menos do que o mesmo período do ano passado.
Já os grupos de despesas que justificaram o aumento dos gastos continuam sendo os mesmos do 1º trimestre, as financeiras e com provisões, em que se enquadram as possíveis perdas judiciais que, posteriormente, viram precatórios.
🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica
As despesas financeiras tiveram um aumento de 161%, passando de R$ 673 milhões em 2025 para R$ 1,7 bilhão em 2026. Aumento de R$ 775 milhões apenas no segundo trimestre deste ano e uma redução de quase R$ 225 milhões em relação ao primeiro trimestre.
Nessa categoria estão incluídos gastos com juros e multas relacionados a boletos, contratos e empréstimos, como os R$ 12 bilhões contratados pela estatal no fim do ano passado. A operação tem previsão de gerar R$ 22,4 bilhões em despesas com juros ao longo de sua vigência.
Já as despesas com provisões e perdas também ficaram acima do previsto, mantendo o aumento provocado no primeiro trimestre, que sozinho foi responsável por R$ 1,1 bilhão. Até junho a conta totalizou R$ 1,3 bilhão.

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