As contas do governo registraram um déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto, informou Tesouro Nacional nesta terça-feira (29).
🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se as receitas ficam acima as despesas, o resultado é um superávit primário. Esses valores não englobam os juros da dívida pública.
➡️Houve uma melhora na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando foi contabilizado um resultado negativo de R$ 16,2 bilhões (valor corrigido pela inflação).
➡️Apesar de negativo, esse também foi o melhor resultado para meses de agosto desde 2021, quando foi registrado um déficit primário de R$ 11,8 bilhões (com a correção).
Receitas X despesas
➡️De acordo com números do Tesouro Nacional, a melhora no resultado positivo está relacionada, principalmente, com o aumento das receitas, que avançaram em ritmo superior ao crescimento dos gastos no mês passado.
Segundo o governo, as receitas líquidas, ou seja, após as transferências, registraram alta real de 3,5% em agosto deste ano, para R$ 187,9 bilhões.
O bom comportamento da arrecadação, por sua vez, está relacionado com o crescimento da economia brasileira, com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com receitas decorrentes da alta do petróleo.
➡️Já as despesas tiveram um aumento real (acima da inflação) de 1,9% em agosto, para R$ 201,5 bilhões. Os principais aumentos foram:
No que se refere às despesas, o aumento observado em agosto foi influenciado, principalmente,
Fundo Especial de Financiamento de Campanha – FEFC (+R$ 4,9 bilhões), que não foram realizadas em 2025.
Benefícios Previdenciários (+R$ 2,7 bilhões),
Abono e Seguro-Desemprego (+R$ 2,4 bilhões)
Créditos Extraordinários (+R$ 1,3 bilhão), impacto das medidas de combate aos conflitos no Oriente Médio.
Parcial do ano
No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 94,9 bilhões.
➡️Isso representa piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo positivo de R$ 87,5 bilhões (corrigido pela inflação).
➡️Esse também foi o pior resultado, para esse período, desde 2024 (R$ 107,1 bilhões em valores atualizados).
📈 Nos oito primeiros meses de 2026, houve um aumento real de 5,7% na receita líquida, após as transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 1,67 trilhão (sem correção).
📈 Ao mesmo tempo, as despesas totais do governo somaram R$ 1,75 trilhão entre janeiro e agosto deste ano (valor nominal), com uma alta real de 5,7% no período.
Meta fiscal em 2026
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 67,3 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit no limite da banda, de R$ 67,3 bilhões neste ano.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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