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Com alta de 405% nas dispensas médicas, Azul vai cancelar centenas de voos em janeiro por falta de tripulantes, diz sindicato

Empresa afirmou que voos estão sendo reprogramados como reflexo da alta de casos de gripe e de Covid-19 no Brasil e no mundo, e que mais de 90% das operações estão funcionando normalmente. Gráfico que mostra aumento de 405% nas dispensas médicas de tripulantes da Azul em janeiro
Reprodução
Com uma alta de 405% nas dispensas médicas de tripulantes em janeiro deste ano em relação à média histórica, a Azul vai cancelar “centenas de voos” até o final do mês, disse nesta sexta-feira (7) Ondino Dutra, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). A entidade representa pilotos e comissários de voo.
As ausências se dão diante da necessidade de isolamento de tripulantes com síndromes gripais como Covid-19, em meio ao avanço no país da variante ômicron, e do vírus H3N2 da influenza.
Dutra participou de uma live do sindicato para falar do impacto das síndromes gripais nas operações da Azul. Com cerca de 5.000 pilotos e comissários, a empresa aérea é a líder em transportes de passageiros no Brasil nos últimos 12 meses, segundo dados da Agência Nacional de Transporte Aéreo (Anac).
Segundo o sindicato, a Azul não informou quanto representava, em números absolutos, o aumento de 405% nas dispensas médicas.
Avião da Azul no aeroporto Santos Dumont, no Rio
Reprodução/TV Globo
A empresa propôs aos tripulantes a possibilidade de folgar uma vez a menos por mês até março –9 vezes, em vez das 10 folgas mensais previstas em lei. Em troca, pagará bonificações que variam de R$ 489 a R$ 2.201 por folga concedida. O valor varia de acordo com a função: comissários ganham o menor valor; e comandantes de voos internacionais, o maior. A adesão dos funcionários é voluntária.
Ao g1, a Azul reafirmou que a reprogramação se deve ao aumento do número de dispensas médicas. Afirmou ainda que mais de 90% das operações normais e que os passageiros estão sendo notificados com antecedência sobre alterações (leia mais abaixo).
Na quinta-feira (6), a Gol havia emitido um alerta para possíveis impactos em voos da empresa. A empresa procura voluntários entre os tripulantes com mais de 10 folgas por mês, o mínimo estipulado em lei, que queiram trabalhar usando as folgas adicionais.
A Latam informou que ainda não foi necessário alterar voos diante do aumento dos casos de síndromes gripais no Brasil.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) diz monitorar a situação das empresas.
Aumento de casos
Um levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) divulgado nesta quinta (6) aponta que o índice de resultados positivos para a Covid-19 em testes de farmácia triplicou na última semana do ano em comparação aos sete dias anteriores, saltando de 11,8% para 33,3%, aponta
Entre 27 de dezembro e 2 de janeiro, foram mais de 95 mil infectados – o equivalente a aproximadamente um terço dos testes realizados no período. Na semana anterior, foram 22 mil positivos – o que responde a 11,8% dos exames feitos em farmácias e drogarias.
Leia a íntegra da nota da Azul:
“A Azul informa que por razões operacionais alguns de seus voos do mês de janeiro estão sendo reprogramados. A companhia registrou um aumento no número de dispensas médicas entre seus Tripulantes – casos esses que, em sua totalidade, apresentaram um quadro com sintomas leves – e tem acompanhado o crescimento do número de casos de gripe e covid-19 no Brasil e no mundo. É importante ressaltar que mais de 90% das operações da companhia estão funcionando normalmente e que os Clientes impactados estão sendo notificados das alterações, reacomodados em outros voos da própria companhia e recebendo toda a assistência necessária conforme prevê a resolução 400 da Anac.”

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