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Falta de demanda leva governo a cancelar um dos três leilões de energia marcados para setembro

Segundo diretor da Aneel, cancelamento reflete previsão das distribuidoras de crescimento do mercado livre, em que consumidores podem comprar energia de qualquer fornecedor. O governo decidiu cancelar o leilão de energia chamado de A-6, que seria realizado em setembro deste ano para que as distribuidoras pudessem contratar energia elétrica de novos empreendimentos de geração. O início do fornecimento seria a partir de 2028.
O leilão de energia A-6 era um dos três previstos para setembro. Os demais ainda permanecem marcados (leia mais abaixo).
A decisão foi comunicada pelo governo à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na noite de segunda-feira (15), véspera da reunião em que a diretoria da agência iria deliberar sobre o edital do leilão.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o cancelamento foi necessário devido à ausência de demanda por parte das distribuidoras.
“A medida representa economia administrativa e dos recursos dos agentes privados, na medida em que o certame meramente revelaria que, embora haja oferta de projetos, não há demanda para contratação no ambiente regulado”, diz o ministério, em nota.
Mercado cativo
Na reunião da diretoria da Aneel nesta terça, o diretor Ricardo Tili comentou que o cancelamento do leilão por falta de demanda demonstra que as distribuidoras não vislumbram crescimento do mercado cativo de energia.
Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.
Divulgação
É chamado de mercado cativo os clientes atendidos pelas distribuidoras de energia. Nesse mercado, os preços são regulados pela Aneel e as distribuidoras atendem os clientes conforme a sua área de concessão.
Já no mercado livre, os consumidores podem comprar energia de qualquer fornecedor e negociam os preços livremente.
O mercado livre está hoje disponível somente para indústrias, porém deve ser expandido ao longo do tempo para todo tipo de consumidor de energia, conforme tratativas já em curso no Congresso e no Ministério de Minas e Energia.
“Os distribuidores estão enxergando a abertura de mercado [livre de energia], por isso não estão declarando demanda daqui a seis anos. Esse é um sinal importante. É um sinal claro das distribuidoras de que não enxergam uma expansão do mercado cativo”, afirmou Tili.
Ele também disse que é um sinal de que a expansão do sistema elétrico acontecerá pela demanda que vier do mercado livre, e não mais pelo mercado regulado, como vinha sendo até anos atrás.
Em nota, o Ministério de Minas e Energia também avalia que o cancelamento do leilão A-6 decorre de diversas medidas, como a proposta de abertura de mercado livre de energia, a expansão da geração distribuída (quem gera a própria energia que consome, como no uso de painéis solares) e a descotização das usinas Eletrobras, que passarão a vender energia a preço de mercado.
Leilão A-5
Com o cancelamento do leilão de energia A-6, a diretoria da Aneel aprovou nesta terça-feira somente o edital do leilão A-5, também destinado a contratar energia de novos empreendimentos de geração, mas com início de fornecimento a partir de 2027.
O edital será publicado no “Diário Oficial da União” desta quarta-feira (17) e o pregão será realizado em 16 de setembro.
Pelas regras aprovadas, poderá ser contratada a energia a ser geradas por novas:
usinas hidrelétricas, incluindo as de pequeno porte;
eólicas;
solares fotovoltaicas; e
termelétricas a biomassa, a resíduos sólidos urbanos, a carvão mineral nacional, a biogás e a gás natural.
Serão negociados contratos de compra de energia em duas modalidades: quantidade, sendo prazo de fornecimento de 20 anos para hidrelétricas e de 15 anos para usinas eólicas e solares; e disponibilidade, sendo destinado à contratação de térmicas, com prazo de suprimento de 20 anos. Em todos os casos, o início do fornecimento é em 1º de janeiro de 2027.
O edital também prevê a reserva de 50% da demanda para contratação de hidrelétricas de até 50 MW, conforme determina a lei que autorizou a privatização da Eletrobras.
Além do leilão A-5, o governo deve realizar em 30 de setembro um leilão para contratação de novas usinas termelétricas movidas a gás natural. Foi uma imposição da lei que autorizou a privatização da Eletrobras, com o objetivo de levar térmicas para regiões do país em que ainda não há infraestrutura. O edital ainda está em avaliação pela Aneel e deve ser apreciado nas próximas semanas pela diretoria.
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