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Lira repete Bolsonaro e cobra da Petrobras revisão do aumento de preços dos combustíveis

Presidente da Câmara citou queda do preço do petróleo no mercado internacional; Bolsonaro vem repetindo a mesma cobrança. Gasolina subiu 18,8%, e diesel, 24,9% na última quinta. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), cobrou nesta quarta-feira (16) um recuo da Petrobras no aumento de preços de combustíveis anunciado na semana passada.
Lira repetiu a queixa do presidente Jair Bolsonaro – que, nesta terça (15), disse esperar que a estatal repasse aos combustíveis a queda recente no preço internacional do barril de petróleo.
“O barril sobe e a gente aumenta. O barril baixa e a gente não baixa? É importante que a Petrobras recue o preço do aumento que deu. Porque o dólar está caindo e o barril está caindo, então são dois componentes que fazem a política de preço da Petrobras”, afirmou.
Lira disse, porém, que “não pode avaliar” se o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, está fazendo uma boa gestão.
“Não posso avaliar, não tenho a visão interna da Petrobras, não tenho o relacionamento interno da Petrobras. A única crítica que eu fiz foi realmente que a Petrobras não precisaria ter dado um aumento do tamanho que deu de uma vez só.”
Em meio à disparada dos preços do petróleo em razão da guerra entre Rússia e Ucrânia, a Petrobras anunciou na última quinta (10) reajustes nos preços de gasolina e diesel – os valores nas refinarias ficaram congelados por quase dois meses.
O preço médio de venda da gasolina para as distribuidoras passou de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro, um aumento de 18,8%. Para o diesel, o preço médio passará de R$ 3,61 para R$ 4,51 por litro, uma alta de 24,9%.
No entanto, uma nova onda de Covid-19 na China e uma sinalização de avanço nas negociações pelo fim do conflito na Europa derrubaram o dólar o preço do barril de petróleo nesta semana. Nesta terça os preços caíram mais de 6%. O petróleo Brent fechou em US$ 99,91 o barril, enquanto o petróleo nos EUA (WTI) caiu para US$ 96,44 o barril.
Discurso similar
A reclamação de Lira ecoa o discurso que o presidente Jair Bolsonaro vem repetindo nos últimos dias, desde que o reajuste foi anunciado pela estatal. Na terça, Bolsonaro ironizou a “sensibilidade da Petrobras ao elevar o preço da gasolina e do diesel nas refinarias.
“Agora, essa guerra que está lá na Rússia, lá com a Ucrânia, tem influenciado a nossa economia. Pelo que tudo indica, os números agora, em especial do preço do barril de petróleo lá fora, sinalizam para uma normalidade no mundo. Espero que assim seja”, disse o presidente.
“E espero que a nossa querida Petrobras, que teve muita sensibilidade ao não nos dar um dia [de prazo extra], ela retorne aos níveis da semana passada os preços dos combustíveis no Brasil”, prosseguiu.
Em declarações anteriores, Bolsonaro também questionou o lucro recorde da petroleira, e chegou a chamar a administração da empresa de “Petrobras Futebol Clube”.
Fundo de estabilização
Ao ser questionado sobre o projeto que cria um fundo de estabilização dos preços dos combustíveis, Lira afirmou que o texto está “fora do radar” na Câmara. Em seguida, o deputado afirmou que o projeto “foi gestado agora”.
“Não tem essa necessidade ávida, ele não vai resolver, é uma conta de compensação que pode ser melhor estudada, tem prós e tem contras. Tudo no seu tempo.”
O projeto foi aprovado na última semana no Senado e cria a Conta de Estabilização dos Preços dos Combustíveis (CEP), um fundo com o objetivo de frear a alta dos preços dos produtos.
A proposta também estabelece a ampliação do auxílio-gás, dobrando o alcance do benefício que custeia parte do botijão de gás, e cria o auxílio-gasolina, destinando um “vale” nos valores de R$ 100 e R$ 300 para taxistas, mototaxistas e motoristas de aplicativos.
Os senadores aprovaram a proposta no mesmo dia em que foi aprovado um projeto que cria nova regra de cálculo do ICMS nos combustíveis.
Na mesma noite, os deputados analisaram a nova regra de ICMS, que já foi sancionada e passa a valer. O texto sobre o fundo de estabilização, porém, ainda não foi votado.
Para Lira, o projeto do ICMS “freia um pouco o aumento” dos combustíveis, mas não o impede.
“Só que nós estamos com o petróleo baixando e o dólar baixo, e a cobrança é: a Petrobras agora vai baixar o combustível? O óleo diesel é mais barato fora do que aqui. Nós vamos ter redução de preço? Ou é só como uma invasão, que vai avançando, avançando, e não recua? Então nós temos que discutir esses assuntos.”

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